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sábado, 29 de junho de 2019

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Consciência e criticidade: sujeitos e educação


Paulo Freire discorre sobre como entende o ser humano e a sua história. Ou seja, a natureza humana constituindo-se social e historicamente. Natureza esta, com uma trajetória marcada pela finitude, pela inconclusão.
Neste sentido, a consciência do inacabável acaba por tornar o ser humano em educável. Existe assim uma necessidade de existência relacional, uma existência de contatos, de vida.
Freire destaca a importância da relação dialógica como prática fundamental à natureza humana e opção democrática. Não há comunicação sem que haja dialogicidade. Esta relação dialógica, aponta o autor, é fundamental para o conhecimento; para que ela exista, é necessário que haja curiosidade, inquietação e respeito mútuo entre os sujeitos. Entende a curiosidade como uma abertura à compreensão, ao desafio.
Para que seja possível a rigorosidade metódica, que é a passagem do senso comum para o conhecimento científico, o autor aponta a necessidade de haver uma distância epistemológica, tomando em mãos o objeto a ser conhecido para poder conhecê-lo. É necessária, assim, a disposição do ser humano para espantar-se diante das pessoas; de explicar, buscar a razão dos fatores, sermos “seres de pergunta”. A indagação é uma atividade gnosiológica que possibilita ao sujeito conhecer.
Amplia suas reflexões apontando a tecnologia como facilitadora deste processo, pois possibilita encurtar o espaço e tempo. Alerta também a necessidade de transformar o espaço escolar num espaço aberto ao exercício da curiosidade epistemológica, exercício do qual deveriam se preocupar os projetos educativos.
Faz críticas à educação bancária, à memorização, aos exercícios repetitivos. Esta prática implica numa visão tecnicista da educação, onde todos são tratados de forma homogênea, visando a um treinamento instrumental em busca de uma sabedoria de resultados. Quem se preocupa disso são os regimes autoritários a quem define como inimigos da democracia.
Atenta para a importância do docente no processo de tornar a educação mais progressista. Para que isso acontece, lista a necessidade de que haja a valorização da carreira, melhor remuneração e necessidades dos docentes refletirem da e sobre a sua prática.
Segundo o autor, o educador progressista desafia a curiosidade ingênua dos estudantes, visando desenvolver a criticidade, desocultando “verdades escondidas”.
Termina alertando a preocupação que possui sobre o aumento da distância entre a prática educativa e o exercício da curiosidade epistemológica.
Hoje vivemos um cerceamento da liberdade de expressão. O movimento direitista tem se disseminado pelo mundo, inclusive no Brasil, criando um estado policialesco. A escola acaba sofrendo diretamente, já que movimentos visam interferir no seu funcionamento e limitar a formação de educandos críticos e reflexivos. Há a necessidade de nos transformarmos constantemente e lutarmos para que o espaço escolar vá além do ensino tradicional, continuando a ser um espaço de reflexão e formação.
A EJA é uma modalidade em que os estudos de Freire são base de estudo e sustentação.
Olhar e pensar a EJA implica em tecer pressupostos da teoria de Paulo Freire para a importância da Educação de Jovens e Adultos no processo de empoderamento dos sujeitos e transformação social do nosso país. Um conceito muito importante da teoria de Freire, o EMPODERAMENTO, se constitui num ato social e político. Relacionado à potencialidade criativa e, ao mesmo tempo, ao desenvolvimento e potencialização das capacidades dos sujeitos, está intimamente ligado à conscientização: une consciência e liberdade. Ou seja, à medida que as pessoas desenvolvem sua conscientização, atingem sua libertação.
Freire e sua teoria são profundamente otimistas. Ele defende a possiblidade e necessidade da mudança na escola, uma vez que ela tem importante papel na transformação social. Esta mudança é ao mesmo tempo política e pedagógica, pois a escola é um lugar de luta e esperança; por isso, deve ser de qualidade e para todos.




REFERÊNCIA
FREIRE, Paulo. À sombra desta mangueira. São Paulo: Ed. Olho D’Água, 2000, p.74-83.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Pensamento, erros e ilusões

https://eapcdotblogdotgencatdotcat.files.wordpress.com/2016/07/errare.jpg


Morin em seu texto destaca que todo o conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. Enfrentar este problema é o papel que ele atribui a educação do futuro. Ela deve mostrar que não há conhecimento que não esteja ameaçado destes riscos.
O conhecimento, afirma, é o fruto da tradução/reconstrução por meio da linguagem e do pensamento, também sujeito a erros.
Neste sentido, Morin aponta que o desenvolvimento do conhecimento científico é um poderoso meio de detecção dos erros e de luta contra as ilusões. Mas alerta, que ele não pode tratar sozinho dos problemas epistemológicos, filosóficos e éticos.
À educação é possível a identificação dos erros, ilusões e cegueiras. A racionalidade também é corretivo, segundo o autor.
Os indivíduos conhecem, pensam e agem segundo paradigmas inscritos culturalmente. Um paradigma pode, ao mesmo tempo, elucidar e cegar, revelar e ocultar.
Há de se reconhecimento na educação do futuro um princípio de incerteza racional, segundo Morin.
Os modelos culturais também estão arraigados nas concepções e é papel da educação  romper (ou não) com este ciclo, a importância da criticidade.
Morin aponta que o conhecimento não é um espelho das coisas ou do mundo externo. Também, alerta para a estreita relação entre afetividade e a inteligência. Em seu texto, afirma que cada mente é dotada de um potencial de mentira para si próprio, esta marcada também por erros e ilusões. Sem esquecer-se do papel da mente em selecionar lembranças que a ele convém, realçar algumas ou apagar outras.
A educação é uma possibilidade de rompimento do ciclo vicioso, mas não esqueçamos que ele afirma que a educação do futuro tem o princípio da incerteza racional.

REFERÊNCIA
MORIN, Edgar. As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão. In: MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 5ª ed., São Paulo: Cortez, 2002, p. 19-27.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

As Ciências como recurso para a sustentabilidade

Fonte: http://www.postositamarathy.com.br/wp-content/uploads/2013/07/Sustentabilidade.jpg


Atualmente muito se fala e conhecemos sobre o que significa a sustentabilidade e sua importância para a preservação e a manutenção da vida no planeta.
As Ciências contemporâneas e a evolução do conhecimento trazido constantemente por elas, apontam caminhos e possibilidades para que a sustentabilidade seja uma prática real. Porém, há um longo caminho, mas que já foi iniciado.
Existem muitos desafios no caminho. Temos responsabilidades políticas e éticas, principalmente na produção do conhecimento e de alternativas de vida; este é um dos principais papéis das Ciências.
As Ciências que construímos, nesta perspectiva de sustentabilidade, é aquela que busca, reconhece seu compromisso político e produtor do conhecimento. Construir a sociedade sustentável continuará sendo nossa constante dúvida e utopia, afirmam muitos pesquisadores.
A educação ambiental atualmente desenvolvida no Brasil oferece elementos suficientes para ultrapassar as barreiras existentes e mostrar que outros caminhos são possíveis e as Ciências têm grande responsabilidades neste futuro.
Existem visões alternativas que implicam mudanças de paradigmas para a construção de uma sociedade sustentável orientada à democracia, justiça e ecologia.
[...] A arte de produzir conhecimentos, na perspectiva da sustentabilidade e da educação ambiental, está condicionada aos impactos e alternativas que possibilitam a construção de uma sociedade democrática, justa e ecologicamente sustentável. (REIGOTA, 2007)

Se optarmos por uma “Ciências sustentável”, que é inevitável e urgente,  teremos de fazer escolhas e rupturas com velhas práticas arraigadas na sociedade.


FONTE
REIGOTA, Marcos Antonio dos Santos. Ciências e Sustentabilidade: a contribuição da educação ambiental. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/aval/v12n2/a03v12n2.pdf>. Acesso em: Nov 2017.

domingo, 9 de outubro de 2016

Geografia: compreendendo e situando-se no mundo

fonte: http://geografia.uol.com.br/geografia/mapas-demografia/33/imagens/i227820.jpg



Sempre fui apaixonado pela Geografia. Conhecer o mundo sempre me fascinou....
Enquanto aluno do Ensino Fundamental, embora num ensino tradicional da Geografia, sempre me dediquei muito e estudava para ser um bom aluno. Meus professores liam os capítulos conosco, passam exercícios, corrigiam, faziam provas, trabalhos e trabalhavam muito com mapas. Não me lembro de ter construído sequer uma maquete ou ter feito uma saída de campo. Mesmo assim, sempre gostei de Geografia, a tal ponto que quase acabei cursando esta licenciatura, a qual admiro até hoje.
Enquanto professor dos Anos Iniciais, procuro explorar o ensino de Geografia utilizando de variados recursos, para situar meus alunos no espaço, para que eles se localizem e compreendam o mundo e, acima de tudo, gostem de Geografia.
Castrogiovanni e Costella apontam que “o aluno competente em geografia estabelece relações entre os elementos geográficos que compõem o espaço e é, a partir desta relação, que se posiciona frente aos desafios da sociedade da informação” (pág. 15).
Assim sendo, apontam o ensino da Geografia e principalmente da Cartografia como possibilidades inclusive na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Enfatizam que a Geografia ensina a ler o mundo e é fundamental o letramento espacial nos alunos.
Segundo os autores, é necessário novas leituras e um novo caminho para o ensino-aprendizagem da Geografia, porque existe uma fragilidade entre o que o professor aprende durante sua formação e o que ensina na escola.
A Cartografia permite um trabalho muito rico em sala de aula estabelecendo referência, lateralidade, percepção de imagens de diversos pontos de vista, relações de distância, ordenamento de pontos de referência, desenvolvendo a capacidade da conservação do conhecimento.
É imprescindível o processo de revisão da prática pedagógica do professor, explorando as possibilidades de um novo ensino-aprendizagem da Geografia, ampliando possibilidades, desenvolvendo novas habilidades.

Referências
CASTROGIOVANNI, Antonio; COSTELLA, Roselane. Geografia e a cartografia escolar no ensino básico: uma relação complexa - percursos e possibilidades. In: SEBASTIÁ, Rafael; TONDA, Emilia. La investigación e innovación en la enseñanza de la Geografía. Alicante: UNE, 2016, p.15-26.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O brincar para mim: lembranças e proposições

Fonte:http://loja.grupoa.com.br/uploads/imagensTitulo/20110707042727_Saraiva_Palavras_Brinquedos_Brincadeiras.gif

Lembro-me muito da minha infância e início da adolescência, onde costumava brincar muito. Ter vivido com ênfase esta etapa da minha vida entendo que foi fundamental para o meu desenvolvimento enquanto sujeito.
Sempre residi em cidade do interior. Recordo que em minha infância morávamos próximos a outros familiares, não havia estrada para passagem de carro, somente de carroça e a pé. Ao lado da minha casa havia um bambuzal, onde brincávamos de esconde-esconde. Minhas referências nesta fase da vida era meus primos, que residiam próximo a minha casa. Em especial, meu primo Tiago, mais próximo, embora mais novo que eu, era com quem mais brincava ao longo do dia.
Com o passar do tempo, o local foi se desenvolvendo, estradas foram abertas, tornando-se um bairro. A partir de então, outras famílias passaram a residir próximo e fui fazendo amizades. As brincadeiras mais comuns eram esconde-esconde, pega-pega, futebol, que era o que tínhamos a nossa disposição e nossa criatividade também contribuía. Eu, como era gordinho, não gostava muito do futebol, embora jogasse.
Lembro também, que mais adiante, quando ganhei meus primeiros carrinhos feitos de madeira (de forma artesanal: caminhão, patrola) aproveitava e brincava com meus vizinhos, com meu primo com nossos carrinhos. Também, como já mencionei em outra oportunidade, adorava pegar as panelas das tampas de minha mãe e dirigir meus carros: cada panela representava um modelo de carro.
Lembro quando ganhei minha primeira bicicleta, como a rua era tranquila, podia andar muito, emprestava, fazíamos corridas.
Aos poucos, foram surgindo outras formas de brincar: o videogame, o computador.......mas nunca fui muito fã de brincar com eles, sempre preferi estar na rua, ao ar livre, estar com meus amigos. Mas a figura que mais me vem à mente é meu primo Tiago, pois era vizinho e sempre fomos muito próximos e brincamos muito. Boas épocas estas....
Tantas outras brincadeiras trazidas pelas leituras propostas para este debate, outras que aprendi com meus pais, amigos, que hoje parecem estar se perdendo.......
fonte: http://www.bhfazcultura.pbh.gov.br/sites/bhfazcultura.pbh.gov.br/files/%5Buid%5D/cck_images/parque.jpg

Refletindo sobre a importância do brincar, ele é fundamental no desenvolvimento das crianças, desenvolvimento da criatividade, inteligência, além de sua grande função socializadora.
Enquanto a criança brinca, ela aprende. E acompanhando a história dos brinquedos, eles refletem aspectos sociais, culturais e econômicos de determinada época.

Hoje, percebemos os eletrônicos como preferência da maioria das crianças. Claro que contribuem e são importantes fontes de aprendizado e conhecimento, mas a possibilidade de construir e usufruir de um jogo construído, aprender brincadeiras com nossos pais, avós, colegas é fundamental para a consciência cultural e histórica enquanto sujeitos em constante evolução.


Referências:
http://loja.grupoa.com.br/uploads/imagensTitulo/20110707042727_Saraiva_Palavras_Brinquedos_Brincadeiras.gif
http://www.bhfazcultura.pbh.gov.br/sites/bhfazcultura.pbh.gov.br/files/%5Buid%5D/cck_images/parque.jpg
FERREIRA, Moacyr Costa. O brinquedo através da história.
CARNEIRO, Mª Angela Barbato. A História Magnífica dos Jogos. (Revista Carta Fundamental)