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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Um olhar sobre as práticas da escola e a influência da cultura

fonte: https://educacaopatrimonial.files.wordpress.com/2014/10/edital-escola-lugar-de-brincadeira.jpg


A cultura influencia diretamente a escola, não necessariamente de forma positiva. Existem lacunas e visões que emperram seu desenvolvimento. Lembro-me de uma situação cultural ocorrida. Certa escola, num município do interior, fortemente marcada pela cultura alemã, recebeu uma professora negra contratada para ser docente das disciplinas de História e Geografia. Até então, não havia nenhum docente negro que atuava na rede. Houve grande surpresa e “preocupação” por parte da equipe diretiva e de alguns professores sobre como seria o “impacto” e “aceitação” por parte dos alunos. Ora, como deveria ser. Foi muito bem recebida por todos os alunos, logo estava bem adaptada à escola e todos gostavam muito dela, além de ser uma boa professora era muito afetuosa, cativou rapidamente a todos.
Esta situação deixa bem clara ainda a presença de aspectos culturais que ainda tornam-se barreiras, inclusive nas próprias escolas, espaço de socialização e aprendizagem. O “choque”, se assim podemos designar, ao receber a professora, não foi dos alunos. E sim da equipe diretiva e parte dos professores que lá atuava uma vez que estamos acostumados ao perfil docente branco. Missio e Cunha apontam aspectos muito relevantes que servem para pensarmos: a escola ainda impõe um modelo único de cultura, aspecto fundado no fato de que ainda mantém preceitos e estrutura da época de sua constituição. Alinhando com os vídeos, que pese que se defenda que a sociedade não discrimina, classifica e que não haveria mais o preconceito racial, vemos que na verdade ainda é um forte discurso difundido na sociedade, que não releva as questões escondidas no pensamento e muitas vezes nas ações praticadas. Há fortemente a presença das diferenças, que ainda têm dificuldades em serem transpostas, motivadas pela nossa constituição, história e presença da herança cultural europeia.
Sem falar no fato de que vivemos um período obscuro no país, com a volta da diferenciação entre as pessoas, preconceitos, visões de um passado que achávamos superado. O fato ocorrido e relatado acima mostra que a geração dos alunos tem mais facilidade em aceitar o diferente, em respeitar a todos como são, do que nossa geração ou a geração que veio antes deles. Ainda estão arraigados aspectos de um período em que certos valores e culturas predominavam sobre outros.
Resta-nos o desafio de transformar esta escola que ainda mantém-se presa ao passado. Começando por nós mesmos docentes, nossas ações, lembrando-se que ela é um espaço em movimento, de interação, onde diferentes sujeitos tornam sem espaço rico e plural.

Referências

MISSIO, Luciani; CUNHA, Jorge Luiz da. Um olhar sobre a educação moderna no século XXI.

domingo, 25 de setembro de 2016

Escola sem partido X escola sem mordaça

fonte: https://www.youtube.com/watch?v=000b7AFo5h8

Hoje pretendo refletir um pouco de assuntos que estão em amplo debate nos últimos meses.
Esta primeira reflexão trata do projeto denominado “Escola sem partido”, que tem como contraponto o projeto “Escola sem mordaça”.
O vídeo acima apresenta um debate de ideias promovido pela Zero Hora onde os dois projetos são apresentados. Dou destaque para os 10 primeiros minutos onde efetivamente há um debate sobre tal.
A formação docente implica, em sua constituição, uma formação política. Política, neste caso, não se referindo a vinculação político-partidária, embora nada a impeça, uma vez que fora do ambiente profissional cada docente é livre para optar por aquilo que julga importante e que queira seguir.
Estou me referindo a aspectos da formação docente. Todo professor, é em essência, um ser político e sua formação também implica este aspecto.
A escola é um ambiente de formação de indivíduos críticos, que vivem socialmente e que também fazem parte de sua constituição. Não há como limitar o debate em sala de aula sobre todos os aspectos cotidianos de nossa sociedade e não devemos transformar a escola num espaço policialesco. Na minha opinião, é isso que o “escola sem partido” acabará transformando. Vai implicar em aulas essencialmente teóricas, sem debate de ideias e reflexões sobre os problemas e necessidades da nossa sociedade.
E como fazer a escolha dos livros ou materiais didáticos? Que o fará? Quais serão os critérios?
Toda a escola possui seu Projeto Político-Pedagógico e seu Regimento Escolar, que devem ser amplamente conhecidos por toda a comunidade escolar, então não há necessidade de amordaçar os docentes para que não “contaminem” os alunos com pensamentos “marxistas, de esquerda, comunistas”. Um absurdo!
Vivemos numa sociedade onde a livre expressão de pensamentos e o debate de ideias é fundamental para o fortalecimento da democracia e a escola é fundamental na construção de uma sociedade melhor, respeitando a pluralidade de concepções e ideias pedagógicas, como prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN _ Lei 9.394/1996).