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sábado, 29 de junho de 2019

Revisitando postagens - XI

Desafios da inclusão

fonte: http://blog.cienciasecognicao.org/wp-content/uploads/2016/03/Inclusao-Anne-2.png


A questão da inclusão das pessoas com deficiência passou a incluir a pauta das políticas educacionais e das ações governamentais principalmente na última década. Temos assistido a um processo lento, que avança paulatinamente, superando novos desafios que se colocam no caminho, a cada dia. A existência de políticas que garantem a matrícula preferencialmente em classes regulares e o apoio de profissionais, bem como a formação continuada docente visando o atendimento a todos os alunos, de acordo com suas particularidades e seu tempo e espaço, mostrou-se muito avançada.
Porém, enquanto docentes, no cotidiano de nossas escolas, muitas vezes nossos discursos contrastam com nossas práticas. É comum percebermos que em classes com alunos com deficiência incluídos, há uma visão de que ele aprenderá o mínimo possível perante suas “limitações”. Ora, embora pareça incoerente e inaceitável nos dias atuais, é freqüente esta prática e pensamento no cerne das instituições escolares.
Lembro-me, quando aluno, no final da década dos anos 1990, numa escola da rede estadual, no interior do nosso estado, que em toda a escola, que na época tinha mais de 300 alunos, havia um aluno cadeirante naquele ambiente sem nenhuma acessibilidade. Ainda hoje recordo que os colegas de sua turma (na época 6ª série do Ensino Fundamental) já o esperavam no portão da escola e conduziam sua cadeira de rodas pelos seus espaços, que contavam com muitas escadas e degraus; nestes, o aluno cadeirante era carregado no colo por colegas, enquanto outros levavam sua cadeira. Quando ele precisava ir ao banheiro, colegas sempre se colocavam à disposição e o auxiliavam; o mesmo durante o recreio, já que ele não ficava na sala de aula, era conduzido até o pátio. Este contexto mostra que os estudantes têm mais facilidade de interação e aceitação de cada um, respeitando suas particularidades.
Percebemos que alguns docentes muitas vezes sabendo que no ano escolar seguinte receberão um aluno com deficiência, alegando “falta de formação” pedem para serem trocados de turma. Muitas desculpas até são utilizadas para amenizar, afirmando que o colega tem mais experiência e formação, ou até que o aluno não precisa “aprender o mesmo” que os colegas, entre outros.
Estamos acostumados a homogeneizar a um padrão que sequer padrão é. Cada um de nós somos diferentes, temos nossas características, particularidades, necessidades, aprendemos a um tempo e espaço diferentes, somos hábeis em alguma coisa.
Concordo com a visão de Carlos Skliar que afirma que se muito falamos de inclusão é porque ela efetivamente não está ocorrendo e não faz parte do cotidiano de nossas escolas, ainda é um desafio. Escola, segundo o autor, é lugar de se encontrar, de hospitalidade: receber o outro e oferecer tudo o que é possível, criando um pacto de amizade, de amorosidade.
Amaral empresa a expressão diversidade da natureza e da condição humana ao discorrer sobre o assunto. Avançamos muito em termos de inclusão, mas ainda temos muito a construir visando transformar a escola e a sociedade num espaço de convívio de e para todos, abandonando modelos predeterminados e padrões do que julgamos normalidade, afinal “ser diferente é normal”.
 Ao longo do PEAD fizemos estudos e reflexões sobre inclusão. Quando fui realizar minha prática docente, no estágio, me deparei com uma turma da EJA e 3 alunos de inclusão em sala, cada um com suas necessidades específicas. Até então, não considerados nas suas particularidades, reprovavam ano por ano, estando repetindo a mesma série por longos períodos. Estabelecemos, na escola, um olhar acolhedor, trabalhando com suas necessidades, visando sua efetiva inclusão e aprendizagem dentro de suas possibilidades.


Referências
AMARAL, Ligia Assumpção. Sobre crocodilos e avestruzes: falando de diferenças físicas, preconceitos e sua superação.
SKLIAR, Carlos. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=sFU02gs-MWk>. Acesso em: out. 2017.

domingo, 6 de maio de 2018

A inovação pedagógica: o papel das Universidades na formação docente


Fonte:http://mindgroup.cc/como-inovar-sem-perder-o-foco-na-qualidade-de-ensino/


       Atualmente as políticas públicas educacionais visam a melhoria da qualidade social da educação. Um dos conceitos associados a isto é o da inovação pedagógica.
          Segundo Cunha (2004) e seus estudos, a inovação pedagógica tem a ver com o conceito do "novo". Ela requer uma ruptura que permita reconfigurar o conhecimento.
         No entanto, a autora aponta que existe uma crise envolvendo este campo. Tem a ver com a influência do neoliberalismo sobre as configurações da sociedade e da universidade, já que a segunda é legitimadora do conhecimento profissional.
        O mercado passou a controlar a formação e a regulação em nome da eficácia. Não significa que a formação e regulação não sejam importantes, mas alerta para a influência que a regulação tem exercido sobre as políticas públicas.
A regulação, alerta Cunha (2004), está assumindo mais prestígio do que a emancipação, reconfigurando a profissionalidade dos professores e definindo o que seria um "professor de sucesso".
     Embora saibamos que são necessárias reconfigurações dos saberes relacionados com o ensinar e o aprender, como resultado de uma construção histórica, ainda o conteúdo específico prevalece sobre o conhecimento pedagógico das humanidades.
      A inovação pedagógica exige o reconhecimento dos professores como produtores de saberes, plurais em constituição e natureza.
      A profissionalidade dos professores abarca a profissão em ação. Neste sentido, Cunha (2004) aponta que o exercício da docência é um processo, movimento, mudança, uma arte.
         A pesquisa possibilita um caminho para a prática pedagógica inovadora do professor porque ela produz conhecimentos e favorece a formação.
      Nosso desafio é transformar nossas práticas docentes colocando o aluno como protagonista do seu processo de construção do conhecimento.

Referência
CUNHA, Maria Isabel da. Inovações pedagógicas e a reconfiguração de saberes no ensinar e no aprender na Universidade. Portugual: CES, 2004.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Desafios da inclusão

fonte: http://blog.cienciasecognicao.org/wp-content/uploads/2016/03/Inclusao-Anne-2.png


A questão da inclusão das pessoas com deficiência passou a incluir a pauta das políticas educacionais e das ações governamentais principalmente na última década. Temos assistido a um processo lento, que avança paulatinamente, superando novos desafios que se colocam no caminho, a cada dia. A existência de políticas que garantem a matrícula preferencialmente em classes regulares e o apoio de profissionais, bem como a formação continuada docente visando o atendimento a todos os alunos, de acordo com suas particularidades e seu tempo e espaço, mostrou-se muito avançada.
Porém, enquanto docentes, no cotidiano de nossas escolas, muitas vezes nossos discursos contrastam com nossas práticas. É comum percebermos que em classes com alunos com deficiência incluídos, há uma visão de que ele aprenderá o mínimo possível perante suas “limitações”. Ora, embora pareça incoerente e inaceitável nos dias atuais, é freqüente esta prática e pensamento no cerne das instituições escolares.
Lembro-me, quando aluno, no final da década dos anos 1990, numa escola da rede estadual, no interior do nosso estado, que em toda a escola, que na época tinha mais de 300 alunos, havia um aluno cadeirante naquele ambiente sem nenhuma acessibilidade. Ainda hoje recordo que os colegas de sua turma (na época 6ª série do Ensino Fundamental) já o esperavam no portão da escola e conduziam sua cadeira de rodas pelos seus espaços, que contavam com muitas escadas e degraus; nestes, o aluno cadeirante era carregado no colo por colegas, enquanto outros levavam sua cadeira. Quando ele precisava ir ao banheiro, colegas sempre se colocavam à disposição e o auxiliavam; o mesmo durante o recreio, já que ele não ficava na sala de aula, era conduzido até o pátio. Este contexto mostra que os estudantes têm mais facilidade de interação e aceitação de cada um, respeitando suas particularidades.
Percebemos que alguns docentes muitas vezes sabendo que no ano escolar seguinte receberão um aluno com deficiência, alegando “falta de formação” pedem para serem trocados de turma. Muitas desculpas até são utilizadas para amenizar, afirmando que o colega tem mais experiência e formação, ou até que o aluno não precisa “aprender o mesmo” que os colegas, entre outros.
Estamos acostumados a homogeneizar a um padrão que sequer padrão é. Cada um de nós somos diferentes, temos nossas características, particularidades, necessidades, aprendemos a um tempo e espaço diferentes, somos hábeis em alguma coisa.
Concordo com a visão de Carlos Skliar que afirma que se muito falamos de inclusão é porque ela efetivamente não está ocorrendo e não faz parte do cotidiano de nossas escolas, ainda é um desafio. Escola, segundo o autor, é lugar de se encontrar, de hospitalidade: receber o outro e oferecer tudo o que é possível, criando um pacto de amizade, de amorosidade.
Amaral empresa a expressão diversidade da natureza e da condição humana ao discorrer sobre o assunto. Avançamos muito em termos de inclusão, mas ainda temos muito a construir visando transformar a escola e a sociedade num espaço de convívio de e para todos, abandonando modelos predeterminados e padrões do que julgamos normalidade, afinal “ser diferente é normal”.


Referências
AMARAL, Ligia Assumpção. Sobre crocodilos e avestruzes: falando de diferenças físicas, preconceitos e sua superação.
SKLIAR, Carlos. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=sFU02gs-MWk>. Acesso em: out. 2017.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Refletindo sobre a LDB e a Educação no Brasil

fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEghyphenhyphen8nSktzpzYcW7Xe83uX9HbXy82tu3id41fNMsSUqZjX0i8CY2rvwOYsq3Ik2xw45w9lkLGDz7fqJ_pb8NqKfk7oDyYcGUVpGnnkUjAgjPOpmz4EZEIwj6K6mlfxjtiijGgHfBGzY1hU/s1600/Todos+pela+educa%C3%A7%C3%A3o.jpg

     Vivemos tempos muitos obscuros no nosso país. Mudanças estruturais tem sido realizadas por um governo que se usurpou do poder há um ano e desde então vem promovendo um desmonte das principais políticas públicas que vinham sendo desenvolvidas no país, sob o discurso da redução das despesas e defendendo o Estado mínimo.
   Ora, a Educação é uma das principais prejudicadas neste processo de esvaziamento das políticas e de redução dos recursos. A aprovação da PEC 241 que hoje já é lei é uma afronta ao Plano Nacional de Educação (2014/2024) porque inviabiliza suas metas e estratégias.
    A legislação educacional também está abalada com estas mudanças que estão sendo realizadas em nome de racionalização burocratizante. A reforma do Ensino Médio e a redução do financiamento da Educação para os próximos anos desmonta o discurso da busca de uma educação pública de qualidade social.

fonte: https://dcerural.files.wordpress.com/2011/04/charge-corte-educacao.jpg

     A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - Lei 9.394/96), mesmo não tendo sido a proposta e construída com participação social, está aí e traz importantes avanços para a Educação no país, normatizando os princípios e funcionamento de nossa educação.
    O professor Carlos Roberto Jamir Cury, em palestra proferida na aula inaugural da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul afirmou que "Mexer na LDB é abrir o campo para novos retrocessos".
   Ora, entendo que não serão abertos novos retrocessos, mas MAIS RETROCESSOS, pois as práticas governamentais atualmente estão caminhando neste sentido, o que invariavelmente resultará num estrago profundo na Educação do país, que embora de forma paulatina vinha melhorando, ao contrário passará a retroceder.
      Mas concordo com Cury que no atual contexto do Brasil e da composição do Poder Legislativo Federal, seria um grande retrocesso qualquer alteração ou discussão de possíveis mudanças na LDB.
     Assistimos a políticos extremistas de direita e com ideias de diminuição do Estado e suas responsabilidades, corte do financiamento da Educação, entre outros aspectos.
     Uma possível alteração ou mudança exigiria uma mobilização da sociedade civil que participasse ativamente dos processos de mobilização, discussão e formulação de uma agenda e defesa no campo das ideias. 
    Mas o contexto atual prova que não se ouvem os anseios da população, tampouco existe a abertura para inserir a participação social nas discussões.
     Entendo que corremos o risco de voltar a um processo de elitização, onde esta pequena parcela da população terá acesso a uma boa educação e de qualidade, enquanto que a maioria do povo ficará à margem, com um ensino precarizado.